Ouvido absoluto e ouvido relativo – qual a diferença?

ouvido absoluto Crédito: tristin_cobertt.flickrUma das principais características que diferenciam um músico de uma pessoa comum é o sentido da audição. Naturalmente mais aguçado em músicos, o ouvido pode ser treinado de modo a permitir uma maior facilidade na criação, reprodução e análise musical. Contudo, em relação a essa capacidade especial dos músicos, muito se ouve falar a respeito do “ouvido absoluto” e também do “ouvido relativo”, mas você sabe qual a diferença?

Recorrendo ao inglês

Antes de explicarmos o significado real de cada uma dessas terminologias, vamos recorrer ao inglês e à forma com que essa língua estrangeira denomina as duas capacidades. No idioma britânico, o ouvido absoluto é conhecido como “perfect pitch”, assim como o relativo é chamado de “relative pitch”.

A primeira pergunta que nos ocorre, após ler isso, é o porquê do “perfeito”, correto?

Bem, o ouvido absoluto é uma capacidade rara mesmo entre músicos. Essa habilidade permite que um músico crie ou reproduza notas sem que haja qualquer referência às mesmas – é como se ele “ouvisse mentalmente” cada uma das notas e escalas, e conseguisse reproduzi-las em qualquer circunstância, sem a necessidade de tê-las ouvido anteriormente.
Entre maestros e músicos experientes, com talento e habilidade inatos, a mera leitura de uma partitura é mais que suficiente para que eles possam colocar em prática todas as notas ali mencionadas.

Ouvido absoluto: um dom?

Grandes gênios da música, como Beethoven e Mozart, possuíam “ouvido interno” que lhes permitiram, por exemplo, compor peças e sinfonias inteiras sem a execução de uma única nota. Mas, por mais incrível que possa parecer, o ouvido absoluto não é um dom necessariamente relacionado com a música em si – as pessoas dotadas desse talento podem simplesmente “nomear” frequências sonoras, associando-as a notas musicais. A habilidade está muito mais relacionada à memória musical do que ao conhecimento teórico de música e não é raro que pessoas sem qualquer vivência no segmento possuam talento similar.

Por exemplo, uma pessoa capaz de reconhecer qualquer pássaro apenas com uma ou duas notas de seu canto provavelmente possui um ouvido absoluto – com o estudo da música, provavelmente essa mesma pessoa poderia atribuir notas musicais ao canto de cada uma dessas aves, mas como não possui estudo na área, seu ouvido absoluto está mais focado no “timbre”, o que permite a ela reconhecer espécies pelo som.

Tirando de ouvido

E o ouvido relativo? Esse tipo de habilidade está muito mais associada ao treino do que a um dom natural, embora evidentemente algumas pessoas possuam maior propensão para desenvolver tal capacidade.

ouvido relativo permite a você reproduzir e criar melodias e notas a partir de comparações estabelecidas. O famoso “tirar de ouvido” é claramente um processo associado a esse tipo de habilidade: o músico ouve a melodia e em seguida a reproduz, copiando compasso, ritmo, notas e sequências, em alguns casos inclusive improvisando e desenvolvendo versões com o uso de uma mesma escala, por ele reconhecida.

O estudo e o treinamento são as grandes armas para o desenvolvimento de um bom ouvido relativo. Ao contrário dos músicos com ouvido absoluto, entretanto, profissionais com ouvido relativo podem ter alguma dificuldade ao reproduzir notas ouvidas em outros instrumentos – diferenças de timbre e compasso podem atrapalhar sua capacidade de reconhecimento e reprodução, criando adaptações aproximadas e às vezes até errôneas.

Fonte: Equipe Musiteca